TRÊS QUIMERAS
A fatalidade é uma presunção, um dos tantos
disfarces do antropomorfismo. Diante do inevitável, nada como aceitá-la. Não há
linhas tortas na queda: tudo apenas cai. Não que o maravilhoso seja assim tão
fácil, mas antes, bem antes, porque o irrevogável só conhece a si mesmo quando é
revogado. O vício é sempre o mesmo: tornar o funesto decisivo e desastroso o
destino.
O acaso me aconselha a adiar a revolução. Este é um sonho
contra o qual tenho lutado. Não serei um acidente de mim mesmo.
Recolher os cadáveres na penumbra, sem que a própria sombra
dê por conta de um ato que contesta a justiça de todos aqueles mortos. A lei se
espalha pela carne e o espírito. Não há lugar para indulgência ou recriminação.
Como alguém tão perdido entre a fatalidade e o acaso pode almejar a
bondade?
arte: hélio rola /
improviso: floriano martins
Animação: MaVi
fortaleza é nossa
debilidade
13/05/2005